Correio Paulinense

Paulínia, 28 de abril de 2026
Registros oficiais da Câmara de Paulínia revelam problemas com a Sabesp desde 1979

Última atualização em 28 de abril de 2026

Segundo levantamento do Correio Paulinense, vereadores cobraram providências da Sabesp quase 400 vezes. Imagem: Reprodução/CMP


Nos últimos 47 anos, o Poder Legislativo de Paulínia questionou pelo menos 380 vezes a qualidade dos serviços prestados ao município pela Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo). É o que revelou levantamento do Correio no site oficial do parlamento municipal.

O primeiro requerimento à Sabesp foi apresentado dia 8 de maio de 1979 – cerca de seis meses após a companhia assumir o serviço de abastecimento de água, coleta e destino final de esgotos sanitários da cidade – pelo então vereador Angelino Pigatto, falecido em 2010.

“Considerando que há seis meses aproximadamente foi outorgado à Sabesp a concessão dos serviços de água e esgoto do município;

Considerando que os serviços prestados à população quanto ao abastecimento de água pioraram sensivelmente, pois há vários dias que o fornecimento encontra-se interrompido sem que haja, por parte da Sabesp, qualquer medida para amenizar a situação;

Considerando que a população vem sofrendo uma das mais sérias crises de falta de água de toda sua história;

Considerando que a par dessa interrupção no fornecimento de líquido, a Sabesp vem apresentando aos consumidores contas com importâncias a pagar das mais elevadas e jamais vistas na cidade;

REQUEIRO seja oficiada à Presidência da Sabesp, solicitando a presença do assessor, Dr. Tufi Jubran a esta Câmara, para prestar esclarecimentos sobre a real situação do serviço em nosso município, de vez que esse mesmo assessor já esteve nesta Casa por ocasião da outorga da concessão”, diz a íntegra do Requerimento nº. 05/79.

O documento revela que a falta de água afeta os consumidores desde que a companhia passou a operar na cidade. No período apurado pelo Correio, vereadores de diversos partidos cobraram a Sabesp sobre diversos e recorrentes problemas, muitos deles enfrentados pelos consumidores até os dias atuais.

Ao menos 16 requerimentos parlamentares questionaram diretamente a qualidade da água fornecida pela concessionária pública. Assim como vem acontecendo atualmente nas redes sociais, problemas com a coloração e o mau cheiro da água que sai das torneiras paulinenses dominaram as cobranças dos vereadores, que pediram também mais agilidade na instalação de redes de  fornecimento em vários bairros, como o Parque da Represa e adjacentes.

No quesito esgoto, parlamentares cobraram implantação, ampliação ou conclusão de redes em várias localidades; fechamento de esgotos a céu aberto; explicações sobre despejos irregulares na Lagoa do João Aranha, Lagoa do Jardim Europa e no córrego Ribeirinho Jacaré; medidas para acabar com o mau cheiro que atinge constantemente diversas regiões; o fim de vazamentos e entupimentos; e, providências para evitar o retorno de esgoto às residências, entre outras reivindicações.

Outro problema que não escapou do radar legislativo é a falta de limpeza e reparos pós-obras da Sabesp, em vários pontos da cidade. Em 2012, por exemplo, requerimento da então vereadora Siméia Zanon apontou que, após realizar manutenção nas redes de água e esgoto, a empresa havia deixado vários buracos abertos em ruas e calçadas do Monte Alegre (I, II, III, IV e V) e Jardim Flamboyant, o popular Nosso Teto.

Parlamentares cobraram ainda explicações da companhia sobre aumento na conta de água, falta de reservatórios em muitos bairros, número insuficiente de funcionários da companhia no município, falta de investimentos em infraestrutura, problemas em tubulações e baixa pressão nas torneiras domésticas. Muitos requerimentos foram respondidos diretamente pela Sabesp ou através do Poder Executivo municipal.

Contratos
Assinado em 23 de novembro de 1978, pelo então prefeito José Antonio Maranho, o primeiro contrato da Sabesp com a Prefeitura de Paulínia (anexado ao Requerimento 408/2014) encerrou-se em  2008. Entretanto, a nova contratação ocorreu somente em 3 de julho de 2020, quase 12 anos depois, na gestão do ex-prefeito Du Cazellato (PL). Por conta da pandemia de covid-19, a cerimônia de assinatura foi remota.

Além de Cazellato, participaram da celebração Marcos Penido, então secretário estadual de Infraestrutura e Meio Ambiente, Benedito Braga, ex-CEO da Sabesp, e Ricardo Borsari, ex-diretor de Sistemas Regionais da companhia. Na ocasião, a concessionária dos serviços de abastecimento de água, coleta e tratamento de esgoto de Paulínia anunciou que investiria R$ 116,5 milhões em obras de saneamento básico.

Plebiscito
Em 24 de junho de 1987, quando Paulínia era administrada pelo médico Benedito Dias de Carvalho, o então vereador José Luiz Casarin Penha sugeriu consulta popular pela municipalização do serviço de abastecimento de água da cidade, visando cancelar o contrato com a Sabesp.

“Acreditando na atual filosofia do Governo, o qual é adepto as descentralizações dos serviços de competência dos órgãos estaduais, fortalecendo, assim, as atividades e atuações municipais, penso tratar-se de momento oportuno para que a Prefeitura Municipal de Paulínia pleiteie a concessão dos serviços de abastecimento de água, sendo cancelado o contrato perante a Sabesp”, argumentou o ex-parlamentar no Requerimento nº. 49/87.  Não há informações sobre a realização ou não do plebiscito.

 

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