Correio Paulinense

Paulínia, 14 de junho de 2024
Coluna: Afinal, quem tombou a 2ª Edição do “Um Sonho de Natal”?

Última atualização em 26 de dezembro de 2023

O Correio registrou a árvore que enfeitava o principal balão do João Aranha tombada no sábado (16), dois dias depois de a prefeitura romper o contrato com a Barnabé Produções –  Foto: Correio Imagem

“Alô! É de onde? Setor de cobrança do banco, de novo? Cês me ligaram agora, às três e meia, e eu falei que não tinha o dinheiro. Pois é, se em 11 meses eu não dei conta de arrumar esse dinheiro, eu ia dá conta de arrumar de três horas pra cá” – mais uma resenha que está bombando na internet, arrancando milhões de gargalhadas.

Apoteótico
em 2022. Vexatório em 2023. Afinal, quem tombou a 2ª Edição do “Um Sonho de Natal”, o evento público mais esperado todos os anos?  Na minha leitura, foi quem, inicialmente, reconheceu a incapacidade técnica da Barnabé Produções e Promoções de Eventos, para erguer árvores natalinas com até 40 metros de altura, e depois voltou atrás na decisão, atendendo recurso da empresa. O tombo começou aí!

A decisão administrativa favorável à Barnabé gerou a judicialização da licitação natalina e, consequentemente, o que seria mais um Natal dos sonhos virou pesadelo. E quem judicializou? A Estelar Iluminação, empresa que fez sozinha a decoração natalina da city em 2022 – faturou R$ 6,8 milhões -, e este ano foi contratada apenas para montar enfeites decorativos luminosos em rotatórias, portais, pontes e avenidas paulinenses, por R$ 372.450,00.

O mandado de segurança impetrado pela Estelar, para suspender temporariamente os serviços de decoração natalina, atingia, além da Barnabé, a empresa Faz Eventos e Locações, contratada para iluminar árvores naturais e prédios públicos da city. Como o serviço que cabia à Faz foi cancelado pela administração, o juiz Lucas de Abreu Evangelinos, da 1ª Vara Cível de Paulínia, determinou a suspensão dos trabalhos da Barnabé.

Por sua vez e no seu papel, a Procuradoria Geral do Município (PGM) recorreu da decisão, mas o magistrado manteve a suspensão da Barnabé, que acabou notificada pela administração para desmontar as árvores – horrorooooooooosas, diga-se de passagem – já erguidas. E assim, apagaram 99% das luzes de um dos Natais mais belos e visitados do Estado.

Agora, cabe perguntar: por que fazer a licitação do Natal sempre em cima da hora? Em 2021 fizeram dia 9 de novembro, em 2022 e 2023 nos dias 19 e 11 de outubro, respectivamente – ou seja, cerca de dois meses antes do início da programação. Mais atrasada ainda foi em 2017: dia 4 de dezembro. Pela mãaaaaaaaaaaaaaae do guaaaaaaaaaaaarda!!! Todo mundo sabe que qualquer licitação está sujeita a recursos, o que acaba esticando ainda mais o prazo de conclusão e contratação.

Natal é um evento fixo. O edital da licitação natalina é quase que padrão, sofrendo apenas pequenas alterações de um ano para o outro. Então, o prudente seria fazê-la logo no primeiro trimestre do ano. Assim, em caso de eventuais problemas, haverá tempo suficiente para resolvê-los e entregar a cidade linda, toda iluminada, conforme o planejado. E digo mais: o titular da pasta responsável pelo evento tem que ficar em cima, acompanhando tudo, cada passo do processo licitatório, para não acontecer o que aconteceu este ano. Uma judiação!

E não adianta culpar a oposição, que nada teve a ver com isso. Todos os envolvidos na judicialização do Natal deste ano estão, oficialmente, bem definidos. A oposição apenas chutou a bola para o gol – é o papel dela, toda vez que algo do tipo acontece. Também, não é plausível a narrativa de que o governo prefere gastar com decoração natalina, em vez de comprar os remédios em falta nas farmácias públicas municipais.

Para quem ainda não sabe, todas as secretarias municipais executam seus programas e pagam suas despesas com verbas próprias. A verba da Saúde este ano, por exemplo, foi de R$ 502 milhões. Já a Secretaria de Esportes, Cultura, Turismo e Eventos, responsável pelo Natal, teve R$ 50 milhões.

Então, o secretário de Saúde, Alexandre Brandt, compra remédios com o dinheiro da Saúde, e Alexandre Fávaro, titular de Esportes, Cultura, Turismo e Eventos, usa recursos da pasta para fazer o evento natalino. Não existe esse negócio de pegar a grana do remédio para alugar enfeites de Natal. Isso é lenda, muitas vezes usada propositadamente. Nem se quisessem, poderiam fazer isso, pois a lei não permite. Assunto “Natal 2023”, concluído com sucesso.

Bem, meus amooooooooooooooooooooooooooooooooores, termino aqui a última coluna de 2023. Que todos tenham passado um Natal de saúde, mesa farta, harmonia e muita alegria. Que 2024 seja um ano de prosperidade ampliada para todos nós. Deus nos abençoe, proteja e livre-nos de todo o mal, amém!  Muuuitos beeeeijos e abraaaaaaaaaaaaaaaaços. Au revoir!

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