Justiça decreta prisão de vereador; defesa diz que ele é inocente

Da Redação
07/11/2019 17:11:23
Justiça decreta prisão de vereador; defesa diz que ele é inocente

Advogado diz ter provas da inocência de seu cliente

O advogado Juan Felipe Camargo Coimbra de Souza disse que seu cliente, Tiguila Paes, está em viagem, mas que ele vai colaborar com a Justiça

A Justiça Criminal de Paulínia decretou a prisão preventiva do vereador Tiguila Paes (Cidadania) na ação que apurou um esquema de venda irregular de casas em Paulínia, ocorrido em 2015. O Ministério Público (MP) denunciou o parlamentar e outras pessoas de participação no golpe que lesou várias vítimas. O vereador tem negado as acusações, reiteradamente. 

Como o processo corre em segredo de justiça, não se sabe o que motivou a decretação da prisão do vereador. O advogado Juan Felipe Camargo Coimbra disse á imprensa que Tiguila Paes está em viagem, desde ontem (6), mas que ele vai colaborar com a Justiça. Segundo informações, por ser vereador, ele deve apresentar-se na Delegacia Seccional de Campinas e, que o prazo para essa apresentação expirou às 12h de hoje (7).

“Temos provas de que ele não participou de nada disso. Foi uma armação para colocar o nome do vereador. Tenho gravações que demonstram que tudo o que foi denunciado foi uma armação para condenar o meu cliente”, declarou a defesa, em nota enviada à imprensa.

Entenda o caso
Em fevereiro de 2015, o Correio Paulinense publicou com exclusividade que um grupo de pessoas estava utilizando uma casa no bairro Bom Retiro como “ponto de venda” de casas do 3º módulo do Residencial Pazetti, no bairro Saltinho (LEIA MATÉRIA COMPLETA). Foi a primeira vez que o famoso “golpe das casinhas” veio a público.

A fonte que nos enviou a denúncia, após participar de uma das reuniões do grupo, afirmou que Everson Alves Vieira e Edineia Ignácio estavam cobrando R$ 3.500,00 de entrada pelos imóveis e, que muita gente estava caindo no golpe. O Correio , então, informou o caso à polícia, que abriu inquérito para investigar.

Em 20 de outubro de 2015, Edneia e mais de uma dezena de vítimas do golpe foram ouvidas pelo então delegado titular de Paulínia, Marco Evangelista. Na ocasião, a polícia apreendeu dois celulares que estavam com Edneia. Segundo as vítimas, naquele dia, elas foram até a casa de Edneia, no bairro Matão (Sumaré), tentar recuperar os valores que haviam desembolsado pelas casas que nunca receberam.  Como a mulher não devolveu o dinheiro, elas resolveram chamar a polícia e todos foram levados à delegacia (LEIA MATÉRIA COMPLETA). 

Ainda naquele dia, nossa reportagem conversou com Edneia Ignácio e algumas das vítimas do golpe. Ela declarou que em um ano “vendeu” 180 casas e que cada comprador pagou R$ 3.500,00 de entrada. Segundo a mulher, o golpe lhe rendeu uma comissão de R$ 270 mil (R$ 1.500,00, por imóvel negociado) e, que o restante do total (R$ 630 mil) arrecadado ela repassou para um homem chamado Jackson de  Oliveira, até hoje não identificado pela polícia. 

No dia 27 de outubro, Edneia e outra acusada de participação no golpe foram presas temporariamente.  Um funcionário da Prefeitura de Paulínia também chegou a ser levado preso para a delegacia, após Edneia reconhecê-lo, por foto, como sendo um dos integrantes do bando. Porém, ao ficar frente a frente com o servidor municipal, a mulher disse ter se confundido e, que ele não participou do esquema. O servidor, então, foi liberado (LEIA MATÉRIA COMPLETA).

No primeiro depoimento à polícia, dia 20 de outubro, Edneia Ignácio não mencionou qualquer tipo de envolvimento do vereador Tiguila Paes e, nem de seus irmãos, Anderson e Peterson Paes, no caso. Da mesma forma, todas as vítimas ouvidas naquela ocasião. No entanto, dias depois o nome do parlamentar surgiu, pela primeira vez, no inquérito, quando Edneia afirmou que Jackson de Oliveira, apontado por ela como um dos golpistas e para quem repassou parte do dinheiro das vítimas, trabalhava no gabinete do parlamentar. 

À época, o vereador desmentiu que tivesse em sua assessoria uma pessoa chamada Jackson de Oliveira e, garantiu não saber de quem se tratava. Nos registros da Câmara Municipal também não foi encontrada nenhuma portaria de nomeação em nome de Jackson de Oliveira.  Um dia após a prisão de Edneia, o delegado Marco Evangelista deu a seguinte declaração para o Correio. “O vereador Tiguila não vendeu nenhuma casa e Edneia disse em depoimento que nunca teve contato com ele” (LEIA A MATÉRIA COMPLETA). 

Já Anderson Roberto Paes, irmão do vereador, foi apontado por Edneia como sendo o Anderson Ferraz, a pessoa que no primeiro depoimento ela apontou como um de seus comparsas. Segundo a polícia, Edneia reconheceu o irmão do vereador, também, por meio de fotografia. Caminhoneiro de profissão, além de negar qualquer participação no caso, ele apresentou vários documentos de viagens feitas durante o período em que os fatos ocorreram.

Foto: Arquivo

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