Consórcio “Paulínia Sempre Limpa” recebeu R$ 9 milhões em três meses

Da Redação
30/03/2018 15:03:47
Consórcio “Paulínia Sempre Limpa” recebeu R$ 9 milhões em três meses

Moradores mostram e pedem nas redes sociais solução para o problema da limpeza urbana de Paulínia

Cidade Nova, Filadelfia e Agreg assumiram a limpeza e coleta de lixo da cidade em novembro passado; licitação e empresas enfrentam problemas na Justiça

Liderado pela empresa Cidade Nova Obras e Serviços, do empresário campineiro Geraldo Antonio Baraldi, o consórcio “Paulínia Sempre Limpa” recebeu, em números redondos, R$ 9.005.689,36 (nove milhões, cinco mil, seiscentos e oitenta e nove reais e trinta e seis centavos), entre 02 de janeiro e 19 deste mês, segundo dados de hoje (30) do Portal da Transparência Municipal.

As empresas Filadelfia Locação e Construção e Agreg Construção e Soluções Ambientais completam o consórcio responsável pela limpeza e coleta de lixo de Paulínia, , desde novembro do ano passado. O contrato de doze meses está estimado em quase R$ 46 milhões. 

Insatisfação
A limpeza urbana de Paulínia é um dos serviços públicos mais reclamados pela população. Quase todos os dias, moradores de várias regiões da cidade postam nas redes sociais textos e imagens sobre a sujeira (mato, lixo e entulhos) que atinge, especialmente, os bairros da periferia. 

Além do serviço prestado pelo Consórcio “Paulínia Sempre Limpa”, muitos internautas criticam também moradores que jogam todo tipo de lixo em locais públicos.  “Temos que fazer a nossa parte para a cidade não ficar suja do jeito que está”, disse Fátima Celestino, moradora no João Aranha. 

Problemas judiciais
O Consórcio “Paulínia Sempre Limpa” assinou contrato com a Prefeitura de Paulínia no dia 6 de novembro do ano passado. Três dias após, o Gaeco (Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado) esteve na cidade (LEIA) para cumprir mandados de condução coercitiva e de  busca e apreensão contra várias autoridades municipais, entre elas, o prefeito Dixon Carvalho (PP), a primeira-dama Tatiana de Castro, os secretários municipais Reginaldo Vieira (Chefe de Gabinete) e Valdir Terrazan (Obras e Serviços Públicos). 

Assessores da Prefeitura, dois vereadores da cidade e o empresário  Geraldo Antonio Baraldi, dono da Cidade Nova, líder do Consórcio “Paulínia Sempre Limpa”, também foram levados coercitivamente para depoimento no Ministério Público (MP) de Campinas. 

Batizada de “Purgamentum”, a operação do Gaeco investiga supostos contratos fraudulentos de lixo em Paulínia e outras cidades paulistas. Promotores do Gaeco apreenderam documentos, computadores e dinheiro, inclusive na casa do prefeito Dixon (PP).  No dia da operação,  Carlos Henrique Oliveira, um dos donos da Filadélfia, encontrava-se no escritório da empresa em Paulínia e acabou preso pelo Gaeco (LEIA). Segundo o MP (Ministério Público), a Filadelfia é suspeita de liderar o esquema investigado.

Já no dia 21 de novembro passado, a juíza Marta Brandão Pistelli, da 2ª Vara Cível de Paulínia, suspendeu a licitação vencida pelo Consórcio “Paulínia Sempre Limpa” (LEIA) Segundo a decisão, a Agreg  Construção e Soluções Ambientais não teria preenchido requisitos legais, portanto, não poderia formar o consórcio. A ação, responsabilizando o prefeito Dixon (PP) e o Presidente da Comissão Municipal de Licitações pela suposta irregularidade, segue tramitando na Justiça. 

Na esfera eleitoral, Geraldo Antonio Baraldi, amigo pessoal do prefeito Dixon Carvalho (PP), foi apontado como principal financiador da campanha pepista à Prefeitura de Paulínia, em 2016. O mega empresário campineiro e homem de confiança do deputado federal Carlos Sampaio (PSDB) apareceu no processo de prestação de contas da campanha de Dixon (PP) como comprador de terrenos pertencentes à  empresa de Benedito Carvalho, pai do prefeito, que teria repassado parte do dinheiro da venda à campanha do filho. 

Após analisar os extratos bancários de Dixon (PP), Benedito e Baraldi, o Ministério Público Eleitoral (MPE) da cidade concluiu que, na verdade, a venda foi simulada para dar origem aos R$ 681.500,00 que o então candidato a prefeito  declarou à Justiça Eleitoral como sendo recursos próprios. 

Além das contas de campanha reprovadas, Dixon (PP) teve o mandato e os direitos políticos cassados pelo juiz eleitoral de Paulínia, Carlos Eduardo Mendes. O prefeito recorreu da decisão no TRE (Tribunal Regional Eleitoral), que deve julgar o caso em breve. Até lá, Dixon (PP) governa o município na condição de prefeito cassado.  

A Procuradoria Regional Eleitoral (PRE) já se manifestou contrária ao recurso do prefeito de Paulínia: “A fraude é comprovada”, disse o procurador Luiz Carlos dos Santos Gonçalves, sobre a “compra e venda de imóveis” para abastecer o caixa eleitoral de Dixon (PP).

Foto: Facebook/Reprodução

Comentar