Da merreca em cruzeiros à fortuna em reais, de Lozano a Dixon, Paulínia resiste há 54 anos

Da Redação
25/02/2018 18:02:58
Da merreca em cruzeiros à fortuna em reais, de Lozano a Dixon, Paulínia resiste há 54 anos

Cinco décadas e quatro anos depois de conquistar a liberdade e ficar rica, a cidade continua pobre em muitos aspectos

Quarta-feira, dia 28, Paulínia completará 54 anos de Emancipação Política. A história da cidade se assemelha a de uma pessoa simples, muito pobre, do interior, mas que foi à luta, cresceu e tornou-se poderosa e rica. Paulínia foi a Vila de “José Paulino” (hoje, nome de sua principal Avenida) e Distrito de Barão Geraldo. A sua primeira receita, pós-emancipação política em 1964, data de 30 de novembro de 1965: CR$ 29.468.000 (vinte e nove mil quatrocentos e sessenta e oito cruzeiros), o equivalente, segundo Tabela IGF de conversão de moeda, a R$ 29.468,00 (vinte nove mil, quatrocentos e sessenta e oito reais)

O primeiro Orçamento Municipal, à época, intitulado de “Mensagem Orçamentária”, foi assinado pelo Primeiro Prefeito Eleito da Cidade, JOSÉ LOZANO DE ARAÚJO, um servidor público estadual aposentado, que chegou por aqui em 1956, e logo percebeu o “potencial econômico” do então Distrito de Campinas. Com o apoio e a participação das famílias mais tradicionais da época, Lozano iniciou o “movimento emancipatório” que culminou na CIDADE DE PAULÍNIA, em 28 de Fevereiro de 1964.

Contando com o atual, DIXON CARVALHO (PP), e o primeiro, JOSÉ LOZANO DE ARAÚJO (eleito pelo antigo Partido Social Progressista -PSP), Paulínia já passou pelas mãos de 14 Prefeitos: VICENTE AMATTE, LUIZ VANZAN, REINALDO KALIL, JOSÉ ANTONIO MARANHO, GERALDO JOSÉ BALLONE, SILVIO RODRIGUES VIAMONTE, JOSÉ PAVAN, BENEDITO DIAS DE CARVALHO, JOSÉ PAVAN JUNIOR (quatro vezes), EDSON MOURA (três vezes), DUDE VEDOVELLO E EDSON MOURA JUNIOR, que, entre mandatos completos e incompletos, administraram a cidade 21 vezes.

No ano em que comemora seu 54º Aniversário de vida, Paulínia tem um orçamento estimado em mais de 1 BILHÃO E MEIO DE REAIS, que, divididos entre os seus pouco mais de 100 mil habitantes, faz dela uma das campeãs brasileiras em renda per capita. Mas, se o primeiro orçamento da cidade, lá em 1965, em cruzeiros, mal deu para os seus primeiros “atos administrativos”, conforme escreveu José Lozano de Araújo, na “Mensagem Orçamentária” enviada aos vereadores da época, cinco décadas e quatro anos depois, Paulínia tem dinheiro  suficiente para executar todos os atos administrativos que quiser, em benefício da população. Mas, infelizmente, a realidade do bilionário município não é essa.

A qualidade dos serviços públicos oferecidos à população, definitivamente, não é e nunca foi à altura da fortuna que entra nos cofres municipais, desde que a Replan passou a recolher impostos, em 1993, sobre o refino de petróleo e derivados. Se na era Lozano, a Educação, Saúde e Segurança eram deficientes em função da merreca que a cidade arrecadava, hoje, elas são precárias não por falta de dinheiro, mas, sim porque os últimos seis Prefeitos da cidade não investiram como deviam, com responsabilidade e pensando na população, os vultosos recursos do município.

A cidade que tinha e tem tudo para ser mostrada ao País como modelo de gestão e investimento em saúde, educação, segurança, habitação, esporte, transporte, entre outras áreas, há vários anos vem aparecendo no noticiário sobre corrupção, desvio de dinheiro público, enriquecimento ilícito, superfaturamento e direcionamento de contratos públicos, formação de quadrilha, e por aí vai.

No ano passado, foi surpreendida pela visita do Gaeco (Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado), que fechou os prédios dos Poderes Executivo e Legislativo, fez busca e apreensão em vários endereços de agentes públicos, e levou coercitivamente autoridades locais para depor, como o próprio Prefeito Municipal. Muito triste, para uma cidade que não precisa e nem merece passar por tamanho constrangimento. 

Hoje, Paulínia é administrada por mais um Prefeito Cassado pela Justiça Eleitoral, que pode permanecer “no” ou deixar o cargo, a depender da sentença final que receber. Enquanto isso, a cidade vive outra expectativa, também, nada agradável:  a de o Gaeco voltar, a qualquer momento, e levar “meio mundo” para a prisão. Grampos telefônicos, suposta lista de propina, documentos e dinheiro, tudo apreendido pelo grupo de combate ao crime organizado,  indicam que Paulínia está prestes à passar por mais uma grande vergonha, quiçá, dessa vez, nacional.  Sem contar, Ex-Prefeitos e Ex-Secretários municipais arriscados ao mesmo fim, por supostos delitos praticados por eles, no exercício dos cargos.

Mas, se sobre os ombros de agentes públicos (ativos e inativos) de Paulínia  pesa o eminente risco de punição pelos atos ímprobos que supostamente teriam cometido em suas funções, sobre os ombros da população, especialmente a menos abastada, pesam as graves e muitas vezes irreparáveis consequências da malversação do dinheiro público, que impedem uma saúde  digna, uma educação digna, uma segurança digna e sucateiam todos os demais  serviços oferecidos aos filhos (natos ou adotivos) da Aniversariante do Mês.  

À Paulínia, que me adotou com tanto amor e me concedeu o Honroso Título de “Cidadão Paulinense” OS MEUS MAIS PROFUNDOS E SINCEROS AGRADECIMENTOS,  E DESEJOS DE MUITAS FELICIDADESParabéns! Parabéns! Parabéns!

Aos seus Governantes, que eles caiam em si e tomem consciência de que a desmedida cobiça por poder e dinheiro pode lhes tirar uma coisa que não tem preço: A VISÃO DO SOL, nascendo majestosamente redondo. 

Mizael Marcelly
Com informações do livro "Paulínia - dos Trilhos da Carril às Chamas do Progresso" (Maria das Dores Soares Maziero e Meire Terezinha Müller Soares) e da Câmara Municipal de Paulínia

Foto: Ilustração/Internet

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