Documentos e computadores apreendidos na FDDIP Paulínia farão parte de mais um inquérito para apurar suposto golpe da casa...

Da Redação
25/07/2015 19:09:00
Documentos e computadores apreendidos na FDDIP Paulínia farão parte de mais um inquérito para apurar suposto golpe da casa própria

[imagem] Autorizada pela Justiça, a Policia Civil de Paulínia realizou, na tarde desta sexta-feira (24), busca e apreensão no escritório da Associação FDDIP (Frente dos Direitos de Interesse Popular), localizado no bairro João Aranha. Computadores, fotos, documentos e recibos apreendidos serão encaminhados à perícia e farão parte do inquérito policial para apurar suposto crime de extorsão, atribuído a Marco Antônio de Paula, o Capivara, contra a Prefeitura de Paulínia. 


Segundo queixa registrada quarta-feira (22), Capivara ameaçou invadir o prédio da prefeitura e tocar fogo em tudo, caso o prefeito José Pavan Junior (PSB) não se comprometa, por escrito, a doar à FDDIP área da antiga Fazenda Paraiso, para construção de moradias (leia matéria). Pavan (PSB) não assinou a “carta compromisso”, entre outros motivos, porque Capivara e Paula Fernanda Ferreira, respectivamente, relações públicas e presidente da Associação, são investigados pela Polícia e Ministério Público Estadual, suspeitos de arrecadar dinheiro de pessoas carentes, associadas à FDDIP, prometendo casas que nunca foram construídas.

No último dia 16, por ofício, o delegado-adjunto de Paulínia, Rodrigo Luis Galazzo, pediu ao prefeito José Pavan Junior (PSB) a designação de um representante da Prefeitura para depor sobre o caso, na próxima quarta-feira (29), e também informações sobre a existência de  algum projeto habitacional entre o Município e a FDDIP. Na manhã deste sábado (25), Capivara liderou um ato intitulado “Fora Pavan”, que mobilizou cerca de 100 moradores de cidades vizinhas, na Praça da Amizade (Bombeiros), região central de Paulínia. 

Exclusivo

O Correio Paulinense Online teve acesso aos depoimentos que Marco Antônio de Paula, o Capivara, e Paula Fernanda Ferreira, prestaram à Policia Civil de Paulínia, em 9 de junho do ano passado, no IP (Inquérito Policial) 166/2014, no qual eles são investigados por crime de estelionato (art. 171 do Código Penal). Segundo, a presidente da FDDIP, a entidade possui cerca de 3 mil sócios, mas apenas 300 (10%) contribuem todo mês com R$ 100,00. O dinheiro, segundo ela, é depositado numa conta da FDDIP, na Caixa Econômica Federal, e usado para manter supostos projetos desenvolvidos pela Associação, como a fabricação de tijolos ecológicos, canil e agricultura familiar. 

Perguntada, na época, se existiam na Associação tijolos para a construção imediata de moradia ou venda, para ajudar na manutenção da FDDIP, a presidente afirmou que não. Paula Fernanda também revelou à Polícia que desde a sua fundação, em 2011, a FDDIP não construiu nenhuma moradia.  A depoente afirmou não receber salário para exercer o cargo e que morava em Cosmópolis com os pais. Paula Fernanda, que completará 23 anos em dezembro, está à frente da FDDIP desde 2011, quando tinha apenas 19 anos, mesmo o Estatuto da Associação estipulando a idade mínima de 21 anos, para a sua Diretoria Executiva. Em maio deste ano, por aclamação, ela foi reeleita para mais um mandato de 4 (quatro) anos.

Sobre as atividades da FDDIP, Capivara, praticamente, repetiu o que já havia sido dito pela companheira Paula Fernanda. As principais divergências nos depoimentos dos dois suspeitos foram em relação à quantidade de pessoas que contribuem com a FDDIP e os valores das taxas pagos por elas. Segundo Capivara, dos 3 mil associados, 220 pagavam mensalmente, mas que, naquela ocasião, apenas 60 continuavam pagando.  Ainda de acordo com ele, em Americana, a FDDIP cobrava uma taxa de R$ 200,00 de cada associado, mas que, após denúncias do Jornal O Liberal, muitos receberam o dinheiro de volta. Capivara, que disse ganhar a vida como pedreiro e carpinteiro na construção civil, informou que a FDDIP não vende os tijolos ecológicos que fabrica. “Nunca recebi dinheiro ou prometi casas ecológicas em troca de dinheiro”, afirmou o acusado. 

Capivara, que foi candidato a deputado estadual pelo PR (Partido da República) de Americana, nas eleições 2014, obtendo 1.841 votos,  terminou o depoimento afirmando não ter nenhuma ligação política com Paulínia e muito menos apoiado qualquer prefeito ou vereador da cidade.

Foto: Reprodução/Internet

Comentar