Há exatos 5 meses sem titular, a pasta teve quase R$ 324 milhões em 2014, mas continua à espera de um milagre

Da Redação
18/01/2015 18:20:00
Há exatos 5 meses sem titular, a pasta teve quase R$ 324 milhões em 2014, mas continua à espera de um milagre

[imagem] Segundo o portal G1, a Prefeitura de Paulínia informou que atualmente a pasta da saúde “é gerenciada pelo próprio prefeito, com o apoio de técnicos”. Primeira pergunta: o que o arquiteto e prefeito – cassado seis vezes, não custa lembrar - Moura Junior (PMDB) entende de saúde? Segunda pergunta: que técnicos o apoiam no gerenciamento da pasta? 


Há exatos cinco meses, o então secretário Renato Netto Cardoso era exonerado do cargo, após sofrer duras críticas pelo caos no setor. O ex-secretário saiu chateado, nos bastidores ameaçou colocar a boca no trombone, mas depois sumiu. A pasta, então, ficou vazia, à espera de um novo titular, capaz de colocá-la nos trilhos. Não foi isso o que aconteceu. 

Em vez de entregar o setor nas mãos de um profissional da área, Moura Junior (PMDB) escalou um time de “xeretas” (formado por assessores especiais e outros cargos comissionados, completamente ignorantes no assunto) para “cuidar”, por exemplo, do Hospital Municipal, cuja situação é cada vez mais crítica. Uma afronta aos profissionais da medicina e enfermagem, que, hoje, são “subordinados” aos “técnicos” que auxiliam Moura Junior (PMDB) no gerenciamento da pasta, como, por exemplo, os assessores especiais Sami Goldstein e Simone Moura, prima do prefeito.

Deve ser constrangedor e estressante um médico como Thiago Jair Vedovello, atual chefe geral do HMP, ter que “responder” à pessoas que, além de ignorantes na área,  estão ali, apenas e tão somente, para fazer politicagem barata - postar selfies debochadas nas redes sociais ou fotos com caixas de remédios e materiais, que nunca chegam aos destinos finais – e intrigas. Vedovello substituiu Gilson Barreto, outro renomado médico, que não passou um mês no cargo. Durante a pseudo inauguração do novo prédio do HMP, dia 19 de novembro passado, Barreto discursou que “saúde não se faz apenas com obras, mas com dedicação, trabalho e equipe boa”. Uma semana depois, foi exonerado do cargo e até hoje a “obra inaugurada” não funciona, plenamente.

Pois é, hoje, a Saúde de Paulínia está infestada de altos cabos eleitorais do prefeito, que fazem de tudo, menos contribuir contra o caos no setor. Entretanto, a culpa não é deles - até porque eles não têm capacidade técnica para fazerem nada mesmo. Cumprem ordens, simplesmente. A responsabilidade é única e exclusivamente do prefeito, que se autodefiniu capaz de gerenciar uma área tão sensível e complicada, como a saúde, quando, ao mesmo tempo, vem “gerenciando” pessimamente a máquina pública toda.

Houve rumores de que o novo titular da saúde paulinense estaria no pacote da terceirização do setor, aprovada pelos vereadores mouristas no dia 9 de outubro do ano passado. Já se passaram três meses e, até agora, nada. Nada de convênios ou contratos com instituições privadas de saúde e muito menos um secretário “padrão Albert Stein”. Dos R$ 323.086.170,30 (R$ 265.577.145,00, previstos no orçamento 2014, + 57.509.025,39, de créditos adicionais aprovados pela Câmara) que teve em caixa no ano passado, a saúde gastou, segundo dados do Portal Transparência da Prefeitura Municipal, quase R$ 214,5 milhões, sendo pouco mais de R$ 141 milhões apenas com pessoal (salários, vantagens fixas, obrigações patronais, despesas variáveis).

Para este ano, a Saúde perdeu quase R$ 30 milhões no Orçamento Municipal, aprovado no antepenúltimo dia de 2014, entretanto e mesmo assim, o “prefeito-gerente” e seus “técnicos ignorantes” terão quase R$ 236 milhões para o “upgrade” que o setor tanto necessita.

Quem sabe, em 2015, em vez de se indignar com as “Selfies da Saúde”, com a “técnica” Simone Moura postando “reuniões de trabalho” em mesas de bares, ou com o “técnico” Sami Goldstein se autopromovendo como “Garoto Centro de Distribuição de Medicamentos”, fazendo poses com caixas disso e daquilo, a cidade não se alegre com uma saúde que tenha, pelo menos, o comprimido “AS” nas prateleiras da farmácia municipal, para afinar o sangue de pacientes de AVC. Não precisa nem ser de 1º mundo, conforme prometido. Quem sabe, neh? 

Foto: Reprodução/Internet

Comentar