ADVERSÁRIOS HOJE, ALIADÍSSIMOS AMANHÃ: na guerra pelo poder, muitas vezes, a “vergonha alheia” fica para os cabos eleitorais

Da Redação
22/06/2020 20:06:14
ADVERSÁRIOS HOJE, ALIADÍSSIMOS AMANHÃ: na guerra pelo poder, muitas vezes, a “vergonha alheia” fica para os cabos eleitorais

Ninguém tem um "salvador da pátria" escondido na cartola

Boooooooooooooooooooooooooooa noooooooooooooooooite, meus amoooooooooooooores. Lá em Brasília, o consenso pelo adiamento das eleições municipais deste ano, em razão da pandemia, é cada vez maior entre os poderes Legislativo e Judiciário Eleitoral. Orientados por médicos sanitaristas e cientistas gabaritados, ministros do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), deputados e senadores têm debatido o tema quase que diariamente, nas últimas três semanas. 

Quinta feita (18), o presidente do TSE, Luís Roberto Barroso, recebeu o senador Weverton Rocha (PDT-MA), relator no Senado da PEC para mudar as datas dos primeiro e segundo turnos. Segundo Weverton, se tudo der certo, esta semana ele finaliza e apresenta o relatório para votação dos colegas senadores. Ou seja, logo saberemos se vamos às urnas em outubro, novembro ou dezembro.

Por enquanto, a única mudança causada pelo surto do novo coronavírus, no processo eleitoral 2020, foi em relação às convenções partidárias, previstas para acontecer entre os dias 20 de julho e 5 de agosto. Por decisão unânime do TSE, candidatos a prefeito e vereador poderão ser escolhidos por videoconferências, para evitar aglomerações de filiados. No mais, o calendário eleitoral para partidos, pré-candidatos e eleitores segue normalmente.

Enquanto isso, a pré-campanha flui a todo vapor, principalmente nas redes sociais. Todo mundo vendendo ou defendendo seu peixe, como deve ser. Entretanto, em muitos casos, da forma que não deveria ser. Curiosa e espantosamente, muitos cabos eleitorais ainda ignoram ou precisam aprender  a principal lição da política: ADVERSÁRIOS HOJE, ALIADÍSSIMOS AMANHÃ - E VICE-VERSA. 

Para chegar ao “X” da coluna de hoje, é preciso voltar um pouquinho no tempo. Nas disputas pela Prefeitura da City, os ex-prefeitos Edson Moura e José Pavan Junior são os maiores exemplos de históricos adversários políticos que viraram aliados. Até 2005, quando Moura nomeou a amada Lucila, esposa do espirituoso Pavan, secretária de Educação, mouristas e pavanistas juntos era sinal de “tiro, porrada e bomba”, no sentido figurado de hoje. 

Em 2008 foi o ápice. Com o Plenário da Câmara abarrotado de gente, o baiano levantou o braço do espirituoso e gritou: MEU CANDIDATO A PREFEITO.  Pronto, a rivalidade, pelo menos naquele momento, ficou no passado. Pavan foi eleito, mas a paz entre os antigos rivais não durou um ano. 

Moura queria continuar administrando a city extraoficialmente, Pavan não aceitou, e os dois romperam a aliança. Em 2012, os caciques voltaram a se enfrentar politicamente, primeiro com o próprio Moura disputando a sucessão de Pavan, e depois, através de Edson Moura Junior, que substituiu o pai (barrado pela Lei da Ficha Limpa) na disputa, um dia antes da votação. 

Já na história da disputa pela Câmara, há inúmeros casos de vereadores que foram eleitos com o apoio de candidatos a prefeito derrotados e, depois de empossados, foram para a base governista do Prefeito (adversário) que venceu.  E teve alguns que fizeram o caminho contrário: se elegeram juntos com o prefeito vencedor, mas acabaram virando oposição. É a  dinâmica do jogo político.

E, quando adversários viram aliados, ou vice-versa, levam junto seus exércitos de cabos eleitorais. Ou seja, quem antes atacava determinado candidato passa a defender, e quem defendia passa a atacar. Ainda mais nos dias de hoje, muitas pessoas brigam sério com conhecidos, desconhecidos, amigos e até familiares por conta de políticos. Depois, quando eles se juntam, a “vergonha alheia” fica para a militância. Toda eleição é isso, mas a maioria continua fazendo do mesmo jeito.

O “X”. Sensato, produtivo e positivo é defender ideias e programas viáveis para melhorar a comunidade em que se vive. Se você faz parte da linha de frente de um candidato (a prefeito ou vereador) exija participar da elaboração das propostas que serão apresentadas ao eleitorado. Depois, divulgue e defenda essas propostas com unhas e dentes, mas sempre respeitando as opiniões contrárias. Nunca com ataques pessoais a quem quer que seja. Não tente conquistar votos para o seu candidato falando mal dos outros.

Também, não seja ingênuo a ponto de acreditar e propagar que seu candidato jamais será capaz de fazer, amanhã, o que, hoje, ele tanto critica nos adversários. A maioria acaba fazendo até um pouco mais. Por isso, defender projetos, além de mais recomendável, é infinitamente menos arriscado do que defender pessoas, pois, todo mundo muda constantemente – uns para melhor, outros para pior. 

Portanto, seja protagonista de uma campanha limpa e respeitosa, sem ódio ou intolerância. Não tente apresentar seu candidato como “salvador da pátria”, tipo político que nunca existiu e jamais existirá. Apoie e apresente um candidato bem intencionado, que tenha vontade e disposição para lutar pela coletividade, sem prometer milagres. 

Por hoje, é só. Para todos, uma semana ESPETACULAR, ABENÇOAAAAAAAAAAAADA E PROTEGIDA POR NOSSO SENHOR JESUS CRISTO. Beeeeeeeeeeeijos e abraaaaaaaaaaaaaaços. Au revoir!

Foto: Ilustração

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