Polícia afirma que Carioca não foi preso por extorsão ou cobrança de vantagens

Da Redação
16/05/2019 14:05:07
Polícia afirma que Carioca não foi preso por extorsão ou cobrança de vantagens

Titular da Civil de Paulínia, Rodrigo Galazzo detalhou os motivos da prisão temporária de Carioca

Segundo delegado, a prisão temporária foi decretada porque ele teria empregado pessoas na Replan mediante supostas coações e ameaças contra terceirizadas da refinaria

Nesta quarta-feira (15), o delegado titular de Paulínia, Rodrigo Luiz Galazzo, explicou durante entrevista coletiva a prisão temporária (por cinco dias) do, agora, ex-secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Elisaman de Jesus Lopes, o Carioca. Adriano Luiz de França, responsável por uma cooperativa de trabalhadores em Cosmópolis, também foi preso na manhã desta quinta-feira (16).

De acordo com o delegado, Carioca e Adriano teriam “ameaçado e coagido” responsáveis (os chamados prepostos) por contratos de empresas terceirizadas pela Refinaria de Paulínia, para que eles empregassem moradores de Paulínia e de Cosmópolis, cadastrados nas cooperativas de trabalhadores dos dois municípios.  Questionado pelos jornalistas se os acusados teriam recebido alguma vantagem financeira, Galazzo afirmou que não existe nenhum indício nesse sentido. “Está sob investigação, nós vamos apurar, agora, com calma, no prazo da prisão temporária de cinco dias”, acrescentou.

Ao Correio, o delegado desmentiu a versão veiculada por alguns meios de comunicação de que Carioca teria extorquido trabalhadores, em troca de vagas de emprego. “Não existe extorsão. Não existe isso. O que estamos apurando é ameaça e coação contra prepostos de empresas terceirizadas pela Petrobras”, afirmou Galazzo. Segundo ele, os funcionários das terceirizadas, supostamente coagidos e ameaçados, foram ouvidos na própria refinaria. De acordo com a polícia, a investigação conjunta com o Ministério Público (MP) de Paulínia teve início em dezembro do ano passado.

“Provas” 

Após a coletiva de imprensa, a polícia distribuiu para os jornalistas oito áudios e três vídeos,  que provariam as supostas coações e ameaças, que pesam contra os suspeitos. Todos os áudios foram enviados por Adriano Luiz de França em um grupo no WhatsApp, nos quais ele trata de diversos assuntos relacionados à vagas para trabalhadores de Cosmópolis e faz ameaças de paralisar a refinaria.

Já o ex-secretário Carioca aparece em dois dos três vídeos fornecidos pela polícia.  Em um deles, feito no ano passado em frente à Refinaria de Paulínia, durante um protesto por vagas de empregos para trabalhadores de Paulínia e Cosmópolis, Carioca manda um recado para o preposto de uma empresa chamada Camilo, terceirizada da Replan. 

“Bom dia. Seu Paulo Guaxupé, só tenho uma coisa para falar pro senhor, entendeu. Se a Petrobras ficar parada, hoje, até o meio dia, cinco horas, independente do horário, a culpa é sua.  Se a coisa for se alastrando mais a culpa é sua, sabe por quê? Quando a gente chega na casa do ser humano, primeira coisa que a gente tem que pedir é licença pra entrar, bom dia, boa tarde ou boa noite, algo desse tipo, porque a educação ela parte de casa. E você já mostrou que você é um mau educado e mal agradecido, porque só da gente abrir as portas da nossa casa pra você entrar, já era pra você ter o mínimo de educação em me chamar pra conversar. Mas não tem problema não, a Petrobras, com isso que está acontecendo aqui , vai fazer você falar com a gente, por bem ou por mal”, disse ele.

No outro vídeo, Carioca, junto com Adriano e vários trabalhadores, aparece protestando em frente à uma clínica do trabalho, em Paulínia. “A gente veio hoje, aqui, na função de parar a clínica, mas a pedido do presidente do sindicato a gente liberou. Mas a partir de amanhã a Camilo não faz mais exames. E, ó, Petrobras fique bem dito pra senhora agora, aqui, amanhã, a partir das 5 da manhã, a gente tá lá, parando tudo, até a senhora entender que nós temos que participar da questão da mão de obra local”, disse ele.  Na sequência, Adriano fala que o protesto estava acontecendo porque a Camilo havia contratado apenas trabalhadores de Cosmópolis, e deixado de fora trabalhadores de Paulínia.

Protestos
Na manhã desta quinta-feira (16) dezenas de trabalhadores protestaram em frente à Refinaria de Paulínia, contra a prisão de Carioca. Um grupo também se reuniu em frente ao Fórum da cidade, pela libertação dele. O Correio está levantando mais detalhes sobre essas manifestações.

Defesa
Na noite de ontem (15), o advogado Juan Felipe postou nas redes sociais uma carta em defesa de Elisaman de Jesus Lopes. “O Ex-secretário jamais fora preso temporariamente por cobrar de qualquer funcionário contratado ou cadastrado qualquer valor a titulo de seu emprego ou cadastro, ele jamais extorquiu alguém, ele jamais cobrou algum tipo de pedágio para empregar qualquer pessoa, então eu como conhecedor do processo e da conduta do meu cliente, posso afirmar com clareza que o que se apura não tem nenhum envolvimento com tal situação”,  afirmou Felipe. 

Ao Correio, o advogado disse que já pediu a revogação da prisão temporária de seu cliente. “Confiamos na Justiça, pois, com todo respeito às autoridades, na minha visão, a prisão é arbitrária e ilegal”. Segundo ele, o pedido ainda não foi decidido pela Justiça. Ainda de acordo com Felipe, Carioca será ouvido hoje pela polícia. 

Foto: Correio Imagem/Arquivo



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