Entre a “cruz e a espada”, Câmara tem que decidir se vai ouvir o grito das ruas ou o poder e seus interesses escusos

Da Redação
17/08/2014 15:19:00
Entre a “cruz e a espada”, Câmara tem que decidir se vai ouvir o grito das ruas ou o poder e seus interesses escusos

[imagem] A segunda sessão da Câmara de Paulínia transmitida em tem real pela internet promete ser um “fervo” – e que “fervo”. No centro dos debates desta terça-feira, 19, HABITAÇÃO E EDUCAÇÃO, dois dos direitos básicos da população. Embora saiba que a possiblidade de derrota é grande, o prefeito Edson Moura Junior (PMDB) conta com a fidelidade, a qualquer preço, dos vereadores aliados, para cumprir politicamente com as às famílias do Acampamento Menezes, direcionando à elas o terceiro e último módulo do Residencial Pazetti, no bairro Saltinho, através do PL 37/2014. Ele e o pai, o ex-prefeito Edson Moura (PMDB), precisam que o projeto seja aprovado. 


Por outro lado, Moura Junior (PMDB) trabalha nos bastidores para derrubar a ideia do vereador Custódio Campos (PT) de criar uma Comissão Especial de Inquérito (CEI), para investigar a Educação Municipal. O pedido da CEI da Educação foi feito pelo Conselho Municipal de Educação (CME) e o petista já está buscando as assinaturas necessárias para instalação da Comissão.  O Regimento Interno da Câmara diz que o pedido de uma CEI precisa ser assinado pela maioria dos vereadores, para poder ser colocado em votação. Segundo informações, além de Custódio, já assinaram pela CEI da Educação os vereadores doutor João Mota (PT), Fábio Valadão (PROS) e a vereadora Angela Duarte (PRTB). Caso mais quatro vereadores assinem, o pedido vai para o Plenário e se ninguém recuar será aprovado.

Porém, Moura Junior (PMDB) já chamou os vereadores aliados na chincha e disse que não aceita derrota, nos dois casos. Quem desobedecê-lo deixará de “sorrir”, por tempo indeterminado. Para garantir que todos sigam a ordem, o prefeito conta com a vigilância serrada do líder de governo na Câmara, Sandro Caprino (PRB), que ainda está longe de ter a “moral política” necessária para comandar a “massa aliada”, à favor de tudo que o governo precisa aprovar no Legislativo. Quem não lembra da derrubada da Tarifa Zero? No caso da CEI da Educação os bastidores apontam que a proposta tem tudo para não prosperar, pois, com mais de um ano de administração, Moura Junior (PMDB) não cumpriu a “Educação de 1º Mundo”, pelo contrário, o setor está cada dia pior e, investigá-lo, neste momento, pode causar muitas e fortes dores de cabeça ao governo. 

Já o projeto das casas do Pazetti para os moradores do Menezes passará na legalidade, mas tem tudo para ser derrubado no mérito. Neste caso, o líder Caprino (PRB) pouco pode fazer, pois, além de legislar em causa própria, politicamente falando, pesa contra o seu “poder de persuasão” o fato dos vereadores terem prometido às  famílias compradoras dos dois primeiros módulos  que não aprovariam qualquer projeto diferente para o residencial. Além da oposição (Custódio Campos, Doutor João Mota, Fábio Valadão e Angela Duarte) devem votar contra o projeto os mouristas Danilo Barros (PCdoB), Edilsinho Rodrigues (PPS), Tiguila Paes (PRTB) e Du Cazellato (PP). Se esta votação acabar se confirmando, Moura Junior (PMDB) terá que arranjar outro jeito de cumprir mais uma promessa de campanha do pai.

Os dois temas mais polêmicos na pauta da 15ª Sessão Ordinária da Câmara de Paulínia já desfilaram pelas ruas da cidade, durante protestos de pessoas reivindicando direitos iguais e uma educação de melhor qualidade. Na manhã de ontem (16), pais, alunos e funcionários da EMEFM Prefeito José Lozano de Araújo, o Homem que Emancipou Paulínia e trouxe a maior refinaria de petróleo da América Latina para a cidade, abraçaram a escola, símbolo do atual descaso com a Educação Municipal. Fechada em fevereiro, para reforma, a escola está completamente abandonada e os pais exigem que a Prefeitura inicie as obras e devolva o “Lozano” o mais rápido possível aos seus filhos. 

Os compradores dos módulos I e II do Pazetti foram às ruas mais de uma vez exigir os mesmos direitos que terão os compradores do módulo III. Por que 360 parcelas de meio salário mínimo, isenção de entrada e pré-obra para uns e para outros não, dentro de um mesmo residencial, regido por uma única lei? Este é o ponto central que move uma luta por direitos iguais e não contra o direto à moradia daqueles que também merecem ter a casa própria. 

Além de mostrar que é possível sim lutar para mudar decisões unilaterais dos poderosos, os gritos de melhorias urgentes na Educação e um Residencial Pazetti igual para todos estão ecoando fortemente na Câmara Municipal, que cada vez mais fica entre a “cruz e a espada”:  OUVE A POPULAÇÃO, COMO NUNCA OUVIU EM TODA SUA HISTÓRIA, OU CONTINUA DANDO OUVIDOS AO PODER E SEUS INTERESSES ESCUSOS?

Se os saudosos Angelino Pigatto, Anisio Perissinotto, Hélio Ferro, Hélio José Malavazi, João Beraldo, José Improta, José Motta, Mário Gervenutti Ferro e Orlando Trevenzolli, fossem os atuais vereadores de Paulínia e nãos os primeiros que foram, entre 1965 e 1969, certamente a decisão seria unânime: PAULÍNIA, EM PRIMEIRO LUGAR! 

Fotos: Antonio Castro (Lozano) e Lucas Rodrigues/CP Imagem (Pazetti)

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