Maus-tratos contra animais crescem 82,6% em Paulínia, segundo ONG

Da Redação
30/06/2020 18:06:04
Maus-tratos contra animais crescem 82,6% em Paulínia, segundo ONG

Um cão encontrado muito doente recebe tratamento veterinário

Ativista afirma que muitos casos de bichos encontrados gravemente feridos ou doentes são registrados na Delegacia de Polícia Civil

De acordo com a Associação Protetora dos Animais São Francisco de Assis (APASFAP), o número de ocorrências envolvendo maus-tratos contra animais em Paulínia aumentou 82,6%, entre novembro do ano passado e junho deste ano. Segundo a ONG, muitos bichos têm sido encontrados machucados, presos em correntes muito curtas, expostos ao sol e a chuva, desnutridos e alguns até abusados sexualmente (zoofilia).

Segundo Juliana Damião, que faz parte da APASFAP, recentemente a ONG resgatou quatro cães extremamente magros, cheios de carrapatos e pulgas, e um deles com problemas no ânus, que estava completamente exposto.  Os donos dos animais não souberam explicar como os animais ficaram naquela situação e alegaram falta de condições financeiras para levá-los a um veterinário. “Porém, de acordo com as denúncias, esses cães eram alimentados somente com pão velho, deixados na rua com frequências, não tinham vacinas e não eram castrados”, explicou Juliana. Os cães receberam os cuidados veterinários necessários, foram alimentados e estão bem. O caso foi registrado na Delegacia de Polícia Civil da cidade.

Neste mês de junho, a ONG foi chamada para resgatar um cavalo deixado em uma região bem afastada da cidade. O animal estava desnutrido, com ferimentos pelo corpo e, segundo Juliana, pode ter sido abandonado no local para morrer mesmo.  “Ele foi atendido por uma veterinária, encaminhado para um lar temporário e se recupera bem”, disse a ativista da causa animal. 

As denúncias chegam através das redes sociais (Facebook e Instagram) da APASFAP, ou por meio de protetores de animais.  Uma equipe da ONG se dirige aos locais, orienta e notifica extrajudicialmente os donos dos bichos maltratados. De acordo com Juliana, a ONG dá um prazo de 48 horas para adoção de medidas que mudem a situação dos animais, caso contrário, é registrado um boletim na delegacia contra os responsáveis, que podem responder pelo crime de maus-tratos de animais, previsto na Lei 9.605/98, art. 32, com pena de detenção de três meses a um ano, e multa. 

“Infelizmente, o caminho para punição desses atos ainda é longo. Nossa luta é árdua e há a necessidade de políticas públicas mais rígidas”, comenta a ativista, que defende uma lei própria do município contra os maus-tratos de animais. “Para que essa situação atual mude, pois, em meio a um ano de caos, os animais sofrem tanto quanto os humanos mais necessitados”, desabafa.  Juliana ainda frisa que nem sempre a ONG tem onde colocar os animais resgatados. “Não temos um abrigo, dependemos de lares temporários”. 

A APASFAP está em atividade desde 2005 e, atualmente, é presidida por Neuza Maria de Oliveira.

Poder Púbico
Em julho do ano passado, o site da Prefeitura Municipal de Paulínia (PMP) informou o início da construção do prédio do DPBEA (Departamento de Proteção e Bem-Estar Animal), órgão ligado à SEDDEMA (Secretaria de Defesa e Desenvolvimento do Meio Ambiente). “As atribuições do DPBEA estarão relacionadas à saúde animal, através da fiscalização de maus-tratos, recolhimento e atendimento de animais sem tutor, campanhas permanentes de castração, microchipagem e identificação de tutores, feiras de adoção de cães e gatos, além do importantíssimo trabalho de educação sobre guarda responsável e outros temas pertinentes ao bem-estar animal”, afirmou, na época, Wanessa Batista, veterinária da pasta ambiental.

Em março deste ano, a Câmara Municipal de Paulínia (CMP) aprovou o Projeto de Lei 08/2020, do prefeito Du Cazellato (PL), criando o Conselho Municipal de Bem Estar-Animal (COMBEA), para orientar, auxiliar e aconselhar a SEDDEMA, bem como o DPBEA, no tocante às políticas públicas inerentes à proteção e defesa dos animais.

Foto: APASFAP 

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