Dados sobre crianças violentadas em Paulínia são equivocados

Da Redação
20/05/2020 19:05:02
Dados sobre crianças violentadas em Paulínia são equivocados

Informação equivocada segue ativa na rede social da emedebista

No Dia Nacional de Combate ao Abuso Sexual contra menores, Nani Moura (MDB) errou ao publicar que “a cada 35 horas, 1 criança é violentada” na cidade

De acordo com a Secretaria Estadual de Segurança Pública (SSP), de janeiro a dezembro do ano passado ocorreram 32 estupros de vulneráveis em Paulínia, e outros sete entre janeiro e março deste ano. O banco de dados da SSP-SP, em relação à cidade, é alimentando pelo setor de estatísticas da Delegacia de Polícia Civil local, que recebe e investiga os casos. O estupro de vulnerável, que é ter relação sexual ou praticar ato libidinoso com menor de 14 anos, está previsto no artigo 217-A do Código Penal, com pena de reclusão de 8 a 15 anos.

Na quarta-feira (18), Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual contra Crianças e Adolescentes, a pré-candidata à prefeita de Paulínia, Nani Moura (MDB), afirmou nas redes sociais que: “Em Paulínia, infelizmente, a cada 35 horas uma criança é violentada”. A publicação teve grande repercussão e gerou polêmica, porque a palavra “violentada” é utilizada para definir uma criança – ou qualquer pessoa – vítima de abuso sexual.  “Para piorar a situação, a atual administração não tem políticas públicas efetivas para evitar tais abusos e proteger nossas crianças”, acrescentou ela.  Até o fechamento desta matéria, o governo Du Cazellato (PL) não se manifestou sobre a declaração da emedebista. 

O Correio procurou Nani Moura e perguntou “de onde ela tirou o número” de crianças abusadas sexualmente no município, a cada 35 horas. “Eu estou me referindo à violência em geral contra menores (sexual, física e psíquica)”, explicou a emedebista, embora não tenha afirmado isso na publicação, e ressaltou em seguida: “Aí (se referindo à sua publicação) não está escrito que a cada 35 horas 1 criança é abusada sexualmente”, contradizendo o que, de fato, ela  própria escreveu e publicou.

Em relação aos dados que divulgou, Nani Moura afirmou ter levantado na Polícia Civil de Paulínia. “Os dados são da própria delegacia da cidade”, afirmou. Procuramos, então, a Delegacia de Policia Civil local. 

O responsável pelo setor de estatísticas da delegacia disse ao Correio que passou à emedebista  dados sobre ocorrências gerais envolvendo menores de 18 anos. “Foi fornecida a quantidade mensal de vítimas menores, em determinado período, salvo engano de 13 meses, não me recordo exatamente”, afirmou o policial, e completou: “São os dados que eu compilo e alimento a Secretaria de Segurança Estadual”, ou seja, os mesmo mencionados no início desta matéria.  

Ainda de acordo com o policial, a Polícia Civil não calcula e nem fornece dados de ocorrências por hora. “Fornecemos esses dados (à emedebista) e fizeram as contas em horas. Não utilizamos esse parâmetro de horas aqui, fechamos mensal”, explicou ele.

Considerando 1 criança violentada no município, a cada 35 horas, conforme Nani Moura divulgou, Paulínia teria em média 250 crianças vítimas de abuso sexual por ano -  número bem acima dos 39 casos registrados pela Polícia Civil da cidade, entre janeiro de 2019 e março deste ano, ou seja, em quinze meses, e que podem ser verificados no portal da  SSP-SP.

Também procurado pelo Correio, o Conselho Tutelar de Paulínia informou que de 1º de janeiro a 18 de maio deste ano, o município contabilizou 11 casos de abuso sexual contra crianças (de 0 a 12 anos incompletos) e adolescentes (de 12 anos a 18 anos).

Denúncias de abuso contra menores podem ser feitas, de forma anônima, pelo Disque Direitos Humanos, ou Disque 100, serviço de proteção de crianças e adolescentes com foco em violência sexual, vinculado ao Programa Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes.

Foto: Reprodução/Rede Social

Comentar