Cazellato fala do PSDB, servidores, eleitores, ponte, hospital, remédios, Lar dos Velhinhos e transição de governo

Da Redação
14/09/2019 19:09:19
Cazellato fala do PSDB, servidores, eleitores, ponte, hospital, remédios, Lar dos Velhinhos e transição de governo

O primeiro prefeito de Paulínia escolhido em eleição suplementar tomará posse dia 7 de outubro

Sobre a classe política, o prefeito eleito dia 1º de setembro diz, em entrevista ao Correio, que “o país e principalmente Paulínia vive um momento de descrédito”

Em entrevista ao Correio Paulinense, o prefeito eleito de Paulínia, Ednilson Cazellato, o Du Cazellato (PSDB), abordou temas como a intervenção do PSDB de São Paulo no PSDB de Paulínia, que quase o deixou fora da primeira eleição suplementar do município; “abstenções, nulos e brancos” na eleição de 1º de setembro; promessas de campanha e plano de governo;  saúde e educação; construção da “Ponte Atibaia”; servidores públicos - dissídio 2019, incorporação do abono, reforma administrativa, gastos da prefeitura com funcionários; contratos públicos; prédios públicos; número de secretarias e secretariado; Lar dos Velhinhos (Centro de Geriatria) e transição de governo. 

Confira!

Correio Paulinense - Impossível falar de sua eleição sem antes abordar o principal percalço no caminho até ela: a intervenção do PSDB de São Paulo no PSDB de Paulínia, que quase o deixou fora da disputa. Por que a executiva estadual de seu partido não queria o senhor como candidato?

Du CazellatoIsso tudo aconteceu devido a uma pessoa que estava no diretório municipal, mas tudo foi superado. Realizamos nossa convenção, dentro do estabelecido pelo estatuto do partido, obtivemos a grande maioria dos votos do diretório, depois a campanha e vencemos. Agora é trabalhar por Paulínia. 

Correio Paulinense - Em 24 de julho, ou seja, um dia antes da intervenção, o vereador Edilson Rodrigues Junior postou nas redes sociais que Marcos Vinholi e Flávio da Costa Pereira, presidente e advogado do PSDB de São Paulo, respectivamente, teriam aprovado o Edital da Convenção do PSDB de Paulínia, que legitimou sua candidatura a prefeito. Entretanto, no dia seguinte (25/07), a estadual destituiu o diretório municipal, e nomeou uma comissão interventora. O senhor apurou o porquê dessa mudança, e pode falar um pouco sobre isso?

Du CazellatoComo falei acima: são águas passadas. Paulínia já sofreu muito por inúmeras disputas nos bastidores políticos ou na justiça, e ninguém aguenta mais esse cenário. O que tenho a dizer sobre esse fato é: a disputa eleitoral teve fim no dia 1º de setembro e a escolha da população foi por essa candidatura que saiu vitoriosa. Nosso governo irá começar dia 7 de outubro e quem quiser contribuir com Paulínia será bem recebido. 

Correio Paulinense – Contando com a direção estadual de seu partido, o senhor considera que, em vez de oito, venceu nove adversários nas urnas de 1º de setembro?

Du CazellatoNão acredito nisso, não vejo quem integra meu partido como um adversário. Mas tenho que assumir foi uma disputa difícil. Fomos atacados por diversos grupos com Fake News e muitos boatos. Mesmo assim nosso grupo se uniu e trabalhou muito para conquistar a confiança da população. Ainda que o número de votos brancos, nulos e abstenções tenha crescido, recebemos 13119 mil votos, porém iremos governar para toda população que hoje se aproxima de 107 mil paulinenses. 

Gostaria de dizer ainda que, embora o Correio Paulinense tenha afirmado que os votos brancos e nulos venceram as eleições em Paulínia (uma referência à matéria do Correio Abstenções, nulos e brancos “vencem” 1ª Eleição Suplementar de Paulínia), não devemos esquecer que esta foi uma eleição atípica. Primeiramente, o período para campanha foi muito curto, segundo, não houveram eleições para vereadores e terceiro e não menos importante o país e principalmente Paulínia vive um momento de descrédito na classe política, mais isso não tira de forma alguma a legitimidade da vontade popular nestas eleições.

Correio Paulinense – Agora, vamos falar de sua futura administração. No seu plano de governo, o senhor promete 156 medidas para as seguintes áreas: Saúde (27), Educação (18), Desenvolvimento Econômico (7), Promoção Social (15), Segurança (13), Transportes e Mobilidade Urbana (12), Recursos Humano (9), Cultura, Turismo e Esporte (27), Meio Ambiente (14), Planejamento Urbano e Habitação (8), e, por fim, Gestão (6). O senhor acha que conseguirá implementar todas elas, em tão pouco tempo?

Du Cazellato Primeiro, há que se fazer uma distinção entre promessa e Plano de Governo. Promessa é aquilo que se oferece ao eleitor caso venha a ganhar as eleições, já Plano de Governo é um objetivo a ser buscado. Eu não fiz nesta eleição uma única promessa que não fosse a de trabalhar por uma Paulínia melhor. Já em relação ao Plano de Governo buscamos apresentar um plano enxuto, elaborado por especialistas de dentro e fora da Prefeitura, sem propostas eleitoreiras como, por exemplo, “incentivar a Pauliprev” (a proposta de “incentivar a Pauliprev” foi do ex-candidato Tuta Bosco, com quem Cazellato bateu boca pelas redes sociais, durante a campanha), que, estabelece um objetivo a ser perseguido durante este curto mandato e acreditamos ser possível implantar. Teremos muitos desafios, porém confio em quem estará ao meu lado e no trabalho em parceria com a Câmara de Vereadores, que comunga dos mesmos objetivos que eu. A minha prioridade e do meu vice-prefeito Sargento Camargo é trabalhar para as áreas da saúde, educação, segurança e mobilidade urbana, que são os pontos críticos e que carecem de muita atenção. 

Correio Paulinense - O senhor promete reestruturar o Hospital Municipal de Paulínia (HMP), que há anos enfrenta problemas gravíssimos. Como será feita essa reestruturação? A tão aguardada entrega da ampliação do HMP, que já consumiu mais de R$ 100 milhões, faz parte dela?

Du CazellatoNosso objetivo na saúde é realizar mutirões para zerar ou chegar o mais próximo disso as filas de espera para cirurgias e exames. Outra frente que vamos agir é para instalar duas UPA’s (Unidades de Pronto Atendimento), visando diminuir o fluxo de atendimento no Pronto Socorro do Hospital e também evitar que a pessoa precise se deslocar pela cidade. 

Sobre a ampliação do HMP e a reestruturação que citou vamos analisar e planejar. Acredito que isso deva ocorrer por etapas, pois vai demandar os investimentos em equipamentos e profissionais e temos que agir conforme o Orçamento (que estima receita e fixa as despesas do município) permitir. Mas, sem sombra de dúvidas, a saúde será prioridade deste governo. 

Correio Paulinense – O senhor promete atacar também um dos principais problemas da rede municipal de saúde: a falta de insumos e medicamentos. Como vai fazer para que essa questão, finalmente, seja solucionada?

Du CazellatoCom gestão e planejamento. O Ministério Público moveu recentemente uma Ação Civil Pública contra o município, onde descreve com precisão a situação caótica por que passa a saúde pública municipal e os desmandos das outras administrações em relação a este problema Tomando o relatório do Ministério Público como exemplo, se a gente fizer a lição de casa conseguimos suprir a demanda que existe por medicamentos. Temos que analisar os contratos, colocar os pagamentos em dia, atuar pela informatização do sistema e em outras frentes que vão ajudar e muito a minimizar este problema, que há anos existe na rede municipal de saúde. 

Correio Paulinense – Nos últimos anos, o Lar dos Velhinhos (Centro de Geriatria) tem sido tratado com total descaso pelo poder público, e quase chegou a ser fechado. O que senhor vai fazer para melhorar a realidade de uma instituição tão importante para o município?

Du CazellatoEste é um local que precisa de muita atenção do governo. Não podemos deixar de investir no acolhimento destes idosos. Enquanto estive prefeito interino, autorizei o início do processo que iria reformar o local. Agora acredito que vamos necessitar dialogar com o MP (Ministério Público) e a Justiça, num trabalho que vai envolver várias secretarias para resolvermos os problemas existentes e poder acolher bem quem está ali e outros idosos que necessitam. O amparo e respeito ao idoso que dele necessita é mais que Política Pública, é obrigação.

Correio Paulinense – Os últimos cinco prefeitos eleitos prometeram e não cumpriram implantar período integral na rede municipal de ensino.  No seu plano de governo, o senhor promete um “estudo piloto para implementação da Educação Integral”. Como será esse estudo, e, em quanto tempo o senhor acha que o período integral será uma realidade nas escolas da cidade? 

Du CazellatoO objetivo é realizar este estudo e iniciar um projeto piloto em algumas unidades da rede municipal de educação. Não quis prometer esse início imediato, pois seria leviano da minha parte não realizar os testes necessários e ver a real demanda, de quando isso começar a funcionar na prática. 

Correio Paulinense – O senhor promete ampliar o número de vagas na educação infantil para zerar a fila de espera.  No caso das creches, qual o déficit atual de vagas, e, os futuros novos alunos serão integrados à rede própria do município, ou direcionados para as unidades privadas conveniadas à prefeitura?

Du CazellatoHoje temos o PROEB (Programa Pró-Educação Básica) e é por ele que num primeiro momento pretendemos zerar a fila de espera. O atual governo (do prefeito interino Loira)  já reajustou o valor do repasse por aluno a essas unidades e agora precisamos fiscalizar para que todas ofereçam um padrão de qualidade excelente. A Meire Muller que será secretária de Educação tem experiência na área e logo irá apresentar com mais detalhes quais etapas vamos percorrer para cumprir com o que está no plano de governo. 

Correio Paulinense – De acordo com seu plano de governo, prédios das secretarias de saúde, esporte e educação deverão ser reformados na sua gestão. Mas o que o senhor pretende fazer com os prédios públicos que custaram milhões dos contribuintes paulinenses e estão abandonados há anos?

Du CazellatoComo bem disse, Paulínia possui problemas sérios que se arrastam há anos, e não devemos esquecer que este meu mandato é bastante curto, apenas um pouco mais extenso que foi o de meu antecessor. Nosso objetivo é enxugar todas as despesas que pudermos e utilizar os prédios e espaços públicos, porém vamos analisar caso a caso, buscando sempre o melhor interesse da população. O que podemos fazer na área do antigo Museu? Como ocupar os estúdios ou os imóveis que se encontram no Complexo do RodoShopping? Sabemos que temos muitos entraves jurídicos e administrativos, então, é preciso um trabalho em conjunto de várias secretarias e também perante aos órgãos legais como MP (Ministério Público) e Justiça. 

Correio Paulinense – Reforma administrativa, outro tema no seu plano de governo. No final do ano passado, como prefeito interino, o senhor enviou à Câmara de Vereadores a criação de 136 cargos de confiança e 226 funções exclusivas para servidores de carreira, que custariam, somente este ano, mais de R$ 27 milhões aos cofres públicos, em salários e gratificações. A sua reforma acabou vetada pelo atual prefeito interino, com o aval dos vereadores.  Mesmo com a folha de pagamento da prefeitura acima dos limites da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), inclusive no período em que administrou interinamente o município, o senhor pretende promover uma nova reforma que gere aumento na despesa com pessoal?

Du CazellatoPelo contrário. Nossa reforma ia permitir uma economia de quase R$ 22 milhões na folha de pagamento, reduzir o número de comissionados e valorizar o servidor concursado. Além disso os cargos comissionados que sofreriam uma redução significativa iriam ter uma redução de salário de 20%. Apenas a título de exemplificação, se a reforma administrativa que encaminhei a Câmara Municipal e fora vetada tivesse sido implantada a Prefeitura não teria gasto nos últimos meses uma média de 1,5 milhão de reais mensais com horas extras. Isto sim é aumento de despesas com folha de pagamento.

Esclarecimento do Correio: A “estimativa do impacto orçamentário financeiro” (foto abaixo) da Reforma Administrativa (Projeto de Lei 69/2018), proposta pelo então prefeito interino Du Cazellato, demonstra que a criação de 136 cargos comissionados e 226 funções de confiança aumentaria a despesa da Prefeitura de Paulínia com funcionários em R$ 27.171.252, 61 (vinte e sete milhões, cento e setenta um mil, duzentos e cinquenta e dois reais, e sessenta e um centavos), somente este ano, o que agravaria ainda mais a situação da folha de pagamento municipal perante a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). 



A economia de R$ 22 milhões citada pelo, agora, prefeito eleito Du Cazellato, é em relação aos R$ 46 milhões que custariam aos cofres municipais, este ano, os 342 cargos comissionados e as funções de confiança da reforma administrativa promovida em 2017 pelo prefeito cassado Dixon Carvalho, e cuja lei (3.539/2017) foi julgada parcialmente inconstitucional pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (LEIA). 

Correio Paulinense – Atualmente, Paulínia tem 21 secretarias municipais e, até agora, nenhum prefeito cogitou diminuir esse número como forma de enxugar os custos do município com funcionários públicos. O que o senhor pensa sobre isso?  

Du CazellatoNossa meta é tornar a Administração mais eficiente e ao mesmo tempo mais enxuta. Vamos cortar e reduzir onde pudermos e for necessário. Se reduzindo as Secretárias reduzíssemos os gastos com pessoal, certamente cortaríamos pela metade, mais o número de funcionários (concursados) continuará o mesmo e consequentemente os gastos também (nesse caso, Cazellato não está levando em conta gastos com salários de secretários e nem dos cargos comissionados, de livre nomeação e exoneração do prefeito). A máquina administrativa não está inchada, pelo contrário, faltam funcionários em várias áreas, a máquina administrativa está cara. Porém isso só será decidido a partir do momento em que assumirmos e analisarmos toda essa situação que é bastante complexa. 

Correio Paulinense – Em assembleia do sindicato, os servidores decidiram trocar o dissídio 2019 pela incorporação do abono de R$ 1 mil, que recebem desde 2013. No entanto, a troca esbarrou na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Como o senhor pretende enfrentar e solucionar essa questão?

Du CazellatoO dialogo será essencial e faremos tudo agindo com responsabilidade e baseado no que for permitido pela lei. 

Correio Paulinense – As despesas da prefeitura com aluguel de carros e imóveis particulares estão entre as mais questionadas e criticadas pela população. Em dezembro do ano passado, como prefeito interino, o senhor prorrogou o contrato com uma locadora de veículos, e aumentou o valor original da contratação em mais de R$ 500 mil, valor bem acima do registrado na prorrogação feita por seu antecessor, Dixon Carvalho. O senhor não acha que já passou da hora de rever e enxugar o máximo possível esses contratos?

Du Cazellato - Enquanto interino todos os contratos e processos administrativos foram revistos por uma comissão que criei e ficou em meu gabinete. Agora não será diferente. Vamos enxugar onde pudermos. Naquele período conseguimos reduzir vários contratos e fizemos muito com pouco. Um exemplo foi o Natal Itinerante que passou pelos bairros da cidade e custou R$ 75 mil, valor bem abaixo de outras festividades que já aconteceram em anos anteriores. 

Correio Paulinense – Durante a campanha, o senhor assumiu o compromisso de começar a construção da “Ponte Atibaia” em três meses, após tomar posse. Esse prazo será cumprido?

Du Cazellato - Enquanto estive interino já havíamos localizado o autor do projeto e iríamos retomar o processo a partir daquele ponto. Agora há notícias que a atual Administração (do prefeito interino Loira) assinou a Ordem de Serviço para o processo licitatório de execução da obra. Veja bem, este é apenas o primeiro passo, entretanto, se estiver tudo ok, poderemos dar continuidade aos trabalhos para que não seja necessário recomeçar tudo novamente. Caso contrário, vamos ajustar o que for preciso para que essa obra comece, pois a cidade não pode mais aguardar pela solução deste problema que atrapalha a vida de muitos paulinenses. 

Correio Paulinense – O senhor já anunciou a volta de dois secretários – Meire Muller (Educação) e Marcelo Mello (Obras e Serviços Públicos). O senhor pretende trabalhar com o mesmo secretariado da gestão interina, ou vai renovar em algumas pastas?

Du Cazellato - Alguns nomes irão voltar. Vamos buscar valorizar o servidor e pessoas da cidade. Em breve quero divulgar o nome de mais secretários, o que posso garantir é que todos serão competentes e que possuem experiência em sua área de atuação.
 
Correio Paulinense – Como está sendo o processo de transição com o atual governo interino da cidade?

Du Cazellato - Indiquei 9 pessoas que compõe uma comissão comandada por Marcelo Mello, futuro secretário de Obras. Esse processo é importante e ajudará o governo que se inicia dia 7 de outubro.  Estou recebendo relatórios importantes que vão acelerar a execução das nossas propostas, mais deixo claro que todas as informações prestadas agora serão confirmadas após a posse.

Foto: Divulgação

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