Justiça Eleitoral vê “indícios de fraude” na condução da campanha de Nani Moura

Da Redação
24/08/2019 18:08:29
Justiça Eleitoral vê “indícios de fraude” na condução da campanha de Nani Moura

Ex-prefeito e candidata conversam com eleitores na famosa feira do São José

No centro da polêmica, o ex-prefeito Edson Moura está proibido de participar da campanha emedebista à Prefeitura de Paulínia

O Ministério Público Eleitoral (MPE) de Paulínia ajuizou ação de investigação judicial eleitoral (AIJE) contra Daiane Cristina da Silva, a Nani Moura (MDB), candidata a prefeita de Paulínia e companheira do ex-prefeito Edson Moura (MDB). O MPE afirma que Moura, e não a candidata, está encabeçando a campanha emedebista, o que considera “fraude eleitoral”.  

A juíza eleitoral Marta Brandão Pistelli aceitou os argumentos do MPE e proibiu o ex-prefeito de participar de qualquer ato de campanha de sua companheira. Fontes próximas de Moura disseram ao Correio que ele não pretende recorrer da decisão, e deve se afastar da campanha. O MPE também pediu a suspensão da chapa Nani e Cícero Brito, candidato a vice-prefeito, mas Pistelli negou. “Inviável, contudo, o deferimento da tutela pretendida para o fim de suspender a campanha da chapa integrada pelos requeridos. Isto porque, tal determinação significaria alijar os candidatos da disputa eleitoral, o que contraria o princípio democrático”, afirmou a magistrada. 

Segundo Pistelli,  documentos apresentados pelo MPE demonstram “indícios de fraude na condução da campanha eleitoral” de Nani, em razão da ativa participação de Moura, atualmente com os direitos políticos suspensos. “Edson Moura, político influente na cidade, tem atuado ativamente na campanha de sua companheira, apresentando-se, ele mesmo, em algumas ocasiões, como o autor das mudanças que pretende ver implementadas no Município”, afirma a decisão interlocutória da juíza. 

No final de julho, o Correio repercutiu uma reunião, no Ginásio de Esportes “Vicente Amatte”,  em quem Moura prometeu empregar moradores de rua na prefeitura da cidade, caso a esposa seja eleita. “Vou criar uma situação com lei, com lei, para que eles sejam os mantenedores dos edifícios da prefeitura”, disse o ex-prefeito (LEIA MATÉRIA COMPLETA).

Para a Justiça Eleitoral,  a atuação de Moura na campanha da esposa  “ultrapassa o mero apoio de um político experiente a outro estreante em campanha eleitoral”, e visa “driblar a inelegibilidade do ex-prefeito, reconduzindo-o ao cargo de Chefe do Poder Executivo local”. O MPE afirmou que o ex-prefeito da cidade “já praticou conduta semelhante nas eleições municipais de 2012, conseguindo, através de fraude reconhecida pelo Poder Judiciário, a eleição de seu filho (Edson Moura Junior), posteriormente cassado, o que acarretou à cidade duro período de trocas sucessivas de prefeitos”.

Não conseguimos contato com as defesas de Nani Moura, Edson Moura, Edson Moura Junior e Cícero Brito, mas o espaço está aberto para que eles, querendo, deem suas versões.

Foto: Reprodução/Facebook 

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