Ex-secretários que não assinaram “emergenciais” milionários falam à Comissão da Câmara

Da Redação
06/04/2017 20:04:46
Ex-secretários que não assinaram “emergenciais” milionários falam à Comissão da Câmara

Valmir Ferreira e Elisete Quadros, ex-secretários do governo Dixon Carvalho (PP)

Valmir Ferreira da Silva (Finanças) e Elisete Quadros (Negócios Jurídicos) foram ouvidos durante quase duas horas, nesta quinta-feira (6)

A convite da Comissão de Finanças e Orçamento da Câmara Municipal de Paulínia, os ex-secretários Valmir Ferreira da Silva (Finanças e Administração) e Elisete Quadros (Negócios Jurídicos) falaram, na tarde desta quinta-feira (6), sobre a saída deles do governo Dixon Carvalho (PP) e também dos contratos emergenciais da merenda escolar, coleta do lixo e limpeza urbana.

As declarações dos ex-secretários são mantidas sob sigilo pela Comissão, mas o Correio conseguiu apurar alguns trechos do que eles falaram, durante quase duas horas de reunião com os vereadores Roberto Aparecido Meschiati, o Kiko Meschiati (PRB), presidente, Danilo Barros (PR), vice-presidente, e Marcelo Penha de Souza Ferraz, o Marcelo D2 (PROS), secretário.

Segundo nossa fonte, o ex-secretário de Finanças afirmou, categoricamente, ter sido exonerado do cargo porque não assinou o contrato emergencial de R$ 13 milhões com a empresa RC Nutry Alimentação, para fornecimento da merenda escolar da cidade. Silva revelou à Comissão que quem levou o contrato da merenda para ele assinar foi uma pessoa de nome Israel, que estava atuando como voluntário no gabinete do prefeito. Segundo o ex-secretário, o contrato é ilegal, foi gerado sem licitação, e, por isso, ele não assinou.

Na sequência, Silva disse ter tido uma conversa com Dixon (PP) e que, na ocasião, explicou os motivos pelos quais não assinaria o contrato, que estava pensando no bem do próprio prefeito, mas, mesmo assim, foi exonerado do cargo. 

Já a ex-titular da pasta jurídica municipal, Elisete Quadros, disse que após avaliar o contrato emergencial com a empresa Corpus Obras e Saneamento, concluiu  que o mesmo era inviável juridicamente, emitiu parecer contrário, e, também, acabou dispensada da função. A advogada ainda afirmou ter ouvido do prefeito a seguinte colocação: “Um dia, nós vamos nos encontrar e eu vou te dizer que isso (a contratação da Corpus) não deu em nada”

Os dois ex-secretários ainda afirmaram ter analisado os contratos do ponto de vista técnico, cada uma na sua área, e ressaltaram que se as contratações emergenciais foram ou não superfaturadas somente uma apuração especializada poderá dizer.

Ao Correio, o vereador Kiko Meschiati (PRB), presidente da Comissão de Finanças e Orçamento da Câmara, afirmou que os ex-secretários foram ouvidos em sigilo, para não atrapalhar os trabalhos de apuração da Comissão sobre os contratos emergenciais. “Não posso revelar detalhes, mas confesso que fiquei impressionado com tudo o que ouvi”, disse ele.

Nossa reportagem não conseguiu contato com o prefeito Dixon Carvalho (PP) para comentar as declarações de seus ex-secretários, no entanto, o Correio deixa o espaço aberto para que ele possa manifestar-se a qualquer momento.

Denúncias rejeitadas
No último dia 28, os vereadores Fábia Ramalho (PMN), Fábio Valadão (PRTB), Zé Coco (PV), Marcelo D2 (PROS), Xandynho Ferrari (PSD), João Pinto Mota (PSDC), Flávio Xavier PSDC), Manoel Filhos da Fruta (PCdoB), Danilo Barros (PR), Edilsinho Rodrigues (PSDB), Loira (PSDC) e Marquinho Fiorella (PSB) rejeitaram dois pedidos para investigar supostas irregularidades nos contratos emergenciais da Corpus e RC Nutry Alimentação. Pelo recebimento das denúncias votaram apenas os vereadores Kiko Meschiati (PRB) e Tiguila Paes (PPS). 

Fotos: Arquivo/Correio Imagem

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