Prefeitura oferece R$ 800 mil parcelados, mas Passaredo diz precisar receber R$ 3,8 milhões

Da Redação
07/12/2016 15:12:56
Prefeitura oferece R$ 800 mil parcelados, mas Passaredo diz precisar receber R$ 3,8 milhões

Até quando os pontos de ônibus permanecerão vazios em Paulínia, ninguém sabe

Câmara reage: convida secretários para explicações e sugere fim do subsídio concedido pela Prefeitura

Nesta quarta-feira (7), nenhum ônibus deixou a garagem da Passaredo e milhares de pessoas estão sem transporte. Além da falta de pagamento do 13º, vale-refeição e salário de novembro, a categoria de motoristas e cobradores alega falta de segurança para cumprir determinação judicial que exige a circulação de 50% e 30% dos coletivos, respectivamente, em horários de pico e demais horários. Segundo a Passaredo, um ônibus foi apedrejado ontem (6) no bairro Morro Alto, mas felizmente ninguém saiu ferido. “Motoristas e cobradores estão com medo”, revelou uma fonte ouvida pelo Correio. O caso foi registrado na Polícia Civil da cidade e o veículo atingido levado para a perícia na manhã de hoje. 

Também nesta terça-feira (6), mais uma audiência no TRT (Tribunal Regional do Trabalho) de Campinas não resultou em acordo para terminar a greve. A Prefeitura de Paulínia ofereceu pagar R$ 800 mil parcelados (R$ 500 mil até sexta-feira desta semana, e R$ 300 mil na quarta-feira da próxima semana), mas a proposta foi rejeitada. 

O Correio apurou que Luiz Gustavo Guimarães Viana, dono da Passaredo, disse na audiência que, “para conseguir pagar o que deve atualmente a funcionários e fornecedores a empresa precisaria receber (ontem) R$ 3,8 milhões (da dívida que a Prefeitura tem com a Passaredo, estimada pela própria empresa em R$ 8 milhões)". Por sua vez, a Prefeitura de Paulínia tem reiterado que “os pagamentos estão regulares”.

Além de salários e benefícios dos funcionários, pagamentos de fornecedores da Passaredo também estão atrasados. “Só de óleo diesel a empresa está devendo cerca de 800 mil reais. A sorte é que alguns fornecedores ainda não cortaram o abastecimento dos ônibus”, afirmou a fonte que ouvimos. Ainda segundo ela, os pagamentos dos convênios médico e odontológico, bem como da cesta básica dos trabalhadores também estão prejudicados. “Além de tudo isso, títulos estão sendo protestados, tributos e encargos ficando em aberto”, completou.

Cerca de 70 funcionários acompanharam a audiência de ontem, no TRT de Campinas, e a expectativa por um acordo que colocasse um fim na crise era muito grande. “Quando o sindicato (dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário e Anexos de Campinas e Região) saiu (da audiência) e informou que não teve acordo, todos eles ficaram muito revoltados, desmotivados e sem cabeça para trabalhar, pois têm que levar o que comer pra mesa e não recebem. A situação é muito difícil”, comentou nossa fonte. 

Câmara reage
A crise no transporte urbano de Paulínia foi destaque na sessão de ontem (6) da Câmara Municipal. O vereador Tiguila Paes (PPS) pediu a convocação dos secretários municipais Luciano Lima (Finanças) e José Valentim Krepski (Transportes) para explicarem os motivos da suposta falta de pagamento à empresa Passaredo. A inciativa recebeu o apoio da Presidência da Mesa e de outros vereadores, como Fábio Valadão (PRTB) que cobrou “bom senso” da Prefeitura e da Passaredo para solucionar o impasse.

O presidente da Casa Sandro Caprino (PRB) optou por convidar os secretários, já que para convocá-los seria necessário consultar o Plenário da Casa, o que demandaria mais tempo. O ofício convidando Lima e Krepski foi encaminhado hoje à Prefeitura Municipal e o encontro entre secretários e vereadores está previsto para acontecer amanhã (8).

Subsídio
O vereador Marcos Roberto Bolonhezi, o Marquinho Fiorella (PSB), sugeriu o fim do subsídio da tarifa de ônibus em Paulínia, diante da crise financeira enfrentada pelo município. O valor atual da passagem na cidade é de R$ 2,85, pagos da seguinte forma: R$ 1 na catraca pelo passageiro e a diferença, R$ 1,85, pela Prefeitura, com o dinheiro dos impostos que recolhe dos contribuintes. Já aos domingos e feriados a população utiliza  o transporte “de graça” e a Prefeitura repassa à empresa o valor integral da tarifa.  

“Se (a Prefeitura) não tem dinheiro (para pagar a parte da tarifa que lhe cabe) vamos falar a verdade pro provo, vamos revogar o projeto de lei (14/2010, Capítulo IV), vamos voltar a passagem pro povo, e vamos fazer o povo pelo menos ter comodidade, saber o que tá fazendo. Vai pagar por um serviço que não vai ter?”, questionou Fiorella, e concluiu: “Quantas pessoas aqui estão sofrendo com isso. Fica esperando no ponto de ônibus como se fosse um palhaço e o ônibus não vem. Então, a verdade que seja dita. Fala a verdade pro povo. Já que não tem dinheiro, vamos acabar com isso (o subsídio) e vamos fazer o que tem que ser feito (revogar a lei do subsídio da passagem). É a minha opinião”.


Tarifa
Para a Passaredo, além do fim do subsídio, outra medida que, na visão da empresa, é importante para melhorar a qualidade do transporte urbano de Paulínia seria reajustar o preço da passagem, de R$ 2,85 para R$ 3,80, valor médio praticado nos municípios da Região Metropolitana de Campinas (RMC).

Foto: Correio Imagem

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