“Estão vendendo fumaça, aproveitando da humildade e necessidade das pessoas”, diz o delegado responsável pelo...

Da Redação
01/09/2015 16:06:00
“Estão vendendo fumaça, aproveitando da humildade e necessidade das pessoas”, diz o delegado responsável pelo inquérito da FDDIP de Capivara

[imagem] O CP Online teve acesso aos documentos apreendidos no final de julho: anotações indicando mais de R$ 22 mil pagos por associados podem ser apenas a ponta do iceberg 


Terça-feira (25), o delegado Marco Evangelista, titular da Polícia Civil de Paulínia, deslacrou o material apreendido, dia 24 do mês passado, no escritório da FDDIP (Frente Regional de Defesa da Cidadania e dos Direitos Sociais de Interesse Popular), localizado no bairro João Aranha. Autorizada pela Justiça, a busca e apreensão recolheu vários documentos, entre eles, carnês, títulos de sócio, recibos, fichas, computador e uma espécie de “livro caixa” da Associação. “Estão vendendo fumaça, aproveitando da humildade e necessidade das pessoas”, disse o delegado, após as primeiras análises do material recolhido.

Os carnês encontrados contém 12 (doze) folhas com canhotos, cada uma referente a um mês do ano, onde constam nome e RG do associado e o valor da mensalidade, que eles chamam de “contribuição social”. Um dos carnês preenchidos recolhidos pela polícia indica o pagamento mensal de R$ 100,00, por uma sócia da FDDIP.  Junto com o carnê para pagamento, a pessoa recebe um “Título de Sócio Beneficiário”, que traz de fundo uma imagem de casas, sugerindo que o benefício pelo recolhimento da “contribuição social” seria a realização do sonho da casa própria.

A polícia analisa também o calhamaço de recibos, de diversos valores – de R$ 150,00 a R$ 3 mil - supostamente pagos por associados da FDDIP.  Há também recibos que comprovariam a suposta devolução do dinheiro de sócios desistentes. Além disso, foram encontrados documentos nos quais sócios da FDDIP transferem para outras pessoas terrenos que teriam adquirido, por meio da associação, em área e cidade não indicadas no documento – constam apenas os números do lote e da quadra. “Ainda não sabemos se esses terrenos existem de verdade e nem onde eles ficam localizados, mas estamos trabalhando para elucidar essas dúvidas”, disse a polícia.

Um livro de capa verde apreendido também está sendo analisado, minuciosamente. Além de várias anotações, ele traz um controle de sócios da FDDIP, de Paulínia, Campinas e Sumaré, inadimplentes com as mensalidades. Nele, constam nomes, meses e valores das contribuições em atraso, pagos e à pagar. Nossa reportagem somou os valores supostamente pagos -  totalizaram mais de R$ 22 mil.

Outras informações registradas no livro são referentes à despesas da associação FDDIP com aluguéis de chácaras e salão, conserto de carro, gráfica, restaurante, além de uma quantia de R$ 700,00 indicada como “salário calboy”.  O líder da FDDIP, Marco Antonio de Paula, o Capivara, também é chamado de “cowboy”, por usar constantemente chapéu de peão de rodeio. A somatória das despesas discriminadas no livro somam R$ 4 mil, mas as anotações não apontam o período em que foram realizadas. De todo o material que recolheu, a polícia ainda não começou a analisar apenas o computador. 

Sem alvará

No último dia 26, o delegado Marco Evangelista encaminhou ofício ao prefeito José Pavan Junior (PSB) informando que a FDDIP (Frente Regional de Defesa da Cidadania e dos Direitos Sociais de Interesse Popular) não possui alvará de funcionamento e aproveitou para pedir o fechamento imediato da Associação, até que o problema seja resolvido. “Quando questionei o senhor Capivara sobre o alvará ele respondeu que ninguém da Prefeitura nunca foi lá exigir que ele tirasse o documento obrigatório. Um absurdo, pois a associação é que tem que ir aos órgão competentes buscar a sua legalização e não o contrário”, disse o delegado.

Ainda segundo Evangelista, o representante da FDDIP prometeu resolver o problema o mais rápido possível. A assessoria de imprensa da Prefeitura de Paulínia informou que a solicitação feita pelo delegado já tramitou pela Secretaria dos Negócios Jurídicos e, atualmente, encontra-se no setor de Fiscalização da Secretaria dos Negócios da Receita, para as providências cabíveis. 

Nossa reportagem não conseguiu localizar os representante da FDDIP, para comentar o assunto.

Fotos: Cedidas e CP/Imagem

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